Problematizações acerca da educação na era tecnológica contemporânea

Publicado: 02/06/2014 em NOSSA PRODUÇÃO: Reflexões

Pensar a sobre a questão da tecnologia na contemporaneidade é problematizar os benefícios e as complicações que o uso desta ferramenta produz em nas nossas subjetividades. Importante deixar claro que, a tecnologia em si propicia formas avançadas de se conectar e aprender, como por exemplo, falar com uma pessoa de outra cultura sem sair de casa. Entretanto, o que devemos nos preocupar é a forma que a tecnologia é usada pelos sujeitos e as formas de se subjetivar diante disso.
Segundo Martins, L.T; Castro, L.R (2010) a tecnologia permite que muitas crianças tenham acesso à informações vindas de outros lugares do mundo, se comunicar, trocar experiências e acima de tudo, conviver com as diferenças. Esse é um pressuposto da convivência escolar, a compreensão da diferença do outro e o respeito, ou seja, a alteridade.
Além disso, a tecnologia a todo instante nos faz desacomodar, sair de paradigmas para refletir e buscar algo a mais. Quando as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) invertem a lógica de que os mais velhos ensinam os mais novos, podemos perceber novas formas se de subjetivar. Percebemos que a convivência baseada em gerações prega a autoridade dos mais velhos frente aos mais novos e é uma maneira submissa de ensinar, visto que, não leva em conta conhecimento prévio, o qual uma criança pode ter, subentendendo-se que esta simplesmente irá reproduzir algo imposto. Assim a tecnologia vem como instrumento para fazer tencionar formas mais reducionistas de pensar a educação na sociedade contemporânea.
Por outro lado, as diversas formas de se relacionar em nossa sociedade sofreram mudanças após o surgimento do computador, por exemplo. Não possuímos mais fronteiras, tem-se a ilusão de que vivemos em um mundo imediato, sem um tempo linear, sem distâncias e de fácil acesso. Estas maneiras de se viver podem influenciar nossa subjetividade, a firmar-se em torno da imediatez e da falta de crítica, por meio da constante velocidade e fluxo de informações. Mas, a questão chave que fica é que podemos parar e pensar o que está acontecendo com a educação e propor novas formas de se ensinar alicerçadas nas novas lógicas contemporâneas, ou simplesmente patologizar os sujeitos que estão inseridos nessa sociedade.
Segundo Margareth Diniz, muitos alunos são classificados como Hiperativos, simplesmente por não prestar atenção nas aulas. Para pensar nessa questão, Martins, L.T; Castro, L.R (2010), traz em seus estudos que os alunos que estão imersos nessa realidade tecnológica veem a sala de aula como monótona e “sem graça”, pois muitas vezes a forma de ensinar é através de tarefas. Ao contrário do computador, que oferece imagens, sons, fazendo emergir o desejo pelo brincar. Estudar na internet é vista por alguns estudantes como uma diversão.
Portanto, quando se coloca um aluno sentado em uma classe, e imerso em um sistema educacional antigo e ultrapassado é de se esperar o desinteresse ou a irritabilidade daquele. Importante destacar que não seria interessante a patologização desse comportamento. Também cabe pensar que as tecnologias digitais podem oferecer uma lógica sem crítica e apenas informativa, o que nos faz pensar é que não devemos optar nem por um nem por outro ponto; mas, estabelecer uma ponte entre estes paralelos para que o sistema educacional possa se modernizar e contemplar uma educação com qualidade.
Podemos pensar ainda que a escola é um local, onde os sujeitos são ensinados a como conviver e se portar enquanto tais em sociedade. Existe um controle sobre os corpos e também um cuidado para que não apareçam diferenças, como alunos que são problemas. Pensar no aluno problema como um sintoma de uma sociedade capitalista pautada na competitividade e na qual não respeita o outro e não tem o amor, como Maturana nos fala, é pensar quais são as implicações destes sujeitos enquanto cidadãos e também as implicações subjetivas.Tecnologia-da-Informação-na-Educação-300x197
Dessa forma, segundo Maria Aparecida Affonso a medicina pode tomar o sujeito e de certa forma reger as suas condutas e seus modos de ser e pensar, patologizando-os, como vemos quando os alunos problemas são taxados de portadores de transtornos. O ciência médica se valendo de diagnósticos como os distúrbios da aprendizagem, costumam classificar em larga escola, todos os alunos problemas sem refletir sobre a verdadeira causa de tal comportamento e/ou atitudes. Assim, não se questionam os discursos médicos, pois tais são prescritos e não se deve questionar o que esta na receita.
Pensar, sobre a implicação disto na construção da aprendizagem dos sujeitos e pensar em como a educação no Brasil é pensada, ou melhor, não pensada, pois os sujeitos acríticos e sem brilho, são mais fáceis de governar e controlar, segundo a lógica capitalista.
Para complementar esta reflexão, gostaria de trazer algumas impressões que tive quando participei de uma palestra em minha cidade acerca da educação. O evento se intitulava Paternidade Consciente: os limites que seu filho precisa. Durante a fala do palestrante, promotor de Justiça de um das Cidades da Serra Gaúcha, este trazia a importância da família para os processos de ensino aprendizagem para as crianças. Destancando também, que muitos dos adolescentes infratores, termo cunhado por ele mesmo, (podemos pensar aqui nos alunos problemas), acabam chegando na justiça por causa da falha da instituição família, escola, conselho tutelar, seguidamente. Culpabilizando a família e a escola pelo fracasso escolar dos alunos.
Primeiro, pensar que o adolescente infrator é um sintoma da sociedade capitalista e opressora é pensar que muitas vezes autoridades não sabem refletir sobre a realidade que está inserida. Segundo culpabiliza os pais e a escola é uma atitude fácil, pois, sabemos onde apontar o dedo. Agora, pensar quais são as implicações que cada sujeito possui na sociedade e o que faz para modificar tal perspectiva torna-se desafiador. Portanto, ao culpabilizar um ou outro pelo fracasso escolar, ou colocar a culpa nos modos tecnológicos que os alunos estão inseridos com certeza não é a melhor alternativa.
Além disso, o promotor trouxe a internet e o uso da tecnologia como sendo extremamente perigosos às crianças. Evidente que, o cuidado consciente é importante, mas um discurso totalitário e reprodutor das ideologias das classes dominantes é uma forma de não exercer a igualdade ao acesso às tecnologias frente à educação.
Pensar nas implicações éticas em nossas atividades enquanto profissionais frente a tais temas, é essencial para combater as opressões que aparecem de forma sutil e aparentemente bondosa nos discursos instaurados pela ciência. Assim, o psicólogo em seu papel social, deve contrapor tais lógicas e evidenciar aquilo que está escondido.
Para finalizar, cabe pensar na implicação ética que cada cidadão tem ao falar do uso da tecnologia e as formas que tais podem nos subjetivar. Mas, acima de tudo, é pensar que a tecnologia pode nos ensinar a tolerar as diferenças e incluir os sujeitos, quebrando a lógica exclusiva e opressa evidente no discurso do promotor.

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