Pensar a sobre a questão da tecnologia na contemporaneidade é problematizar os benefícios e as complicações que o uso desta ferramenta produz em nas nossas subjetividades. Importante deixar claro que, a tecnologia em si propicia formas avançadas de se conectar e aprender, como por exemplo, falar com uma pessoa de outra cultura sem sair de casa. Entretanto, o que devemos nos preocupar é a forma que a tecnologia é usada pelos sujeitos e as formas de se subjetivar diante disso.
Segundo Martins, L.T; Castro, L.R (2010) a tecnologia permite que muitas crianças tenham acesso à informações vindas de outros lugares do mundo, se comunicar, trocar experiências e acima de tudo, conviver com as diferenças. Esse é um pressuposto da convivência escolar, a compreensão da diferença do outro e o respeito, ou seja, a alteridade.
Além disso, a tecnologia a todo instante nos faz desacomodar, sair de paradigmas para refletir e buscar algo a mais. Quando as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) invertem a lógica de que os mais velhos ensinam os mais novos, podemos perceber novas formas se de subjetivar. Percebemos que a convivência baseada em gerações prega a autoridade dos mais velhos frente aos mais novos e é uma maneira submissa de ensinar, visto que, não leva em conta conhecimento prévio, o qual uma criança pode ter, subentendendo-se que esta simplesmente irá reproduzir algo imposto. Assim a tecnologia vem como instrumento para fazer tencionar formas mais reducionistas de pensar a educação na sociedade contemporânea.
Por outro lado, as diversas formas de se relacionar em nossa sociedade sofreram mudanças após o surgimento do computador, por exemplo. Não possuímos mais fronteiras, tem-se a ilusão de que vivemos em um mundo imediato, sem um tempo linear, sem distâncias e de fácil acesso. Estas maneiras de se viver podem influenciar nossa subjetividade, a firmar-se em torno da imediatez e da falta de crítica, por meio da constante velocidade e fluxo de informações. Mas, a questão chave que fica é que podemos parar e pensar o que está acontecendo com a educação e propor novas formas de se ensinar alicerçadas nas novas lógicas contemporâneas, ou simplesmente patologizar os sujeitos que estão inseridos nessa sociedade.
Segundo Margareth Diniz, muitos alunos são classificados como Hiperativos, simplesmente por não prestar atenção nas aulas. Para pensar nessa questão, Martins, L.T; Castro, L.R (2010), traz em seus estudos que os alunos que estão imersos nessa realidade tecnológica veem a sala de aula como monótona e “sem graça”, pois muitas vezes a forma de ensinar é através de tarefas. Ao contrário do computador, que oferece imagens, sons, fazendo emergir o desejo pelo brincar. Estudar na internet é vista por alguns estudantes como uma diversão.
Portanto, quando se coloca um aluno sentado em uma classe, e imerso em um sistema educacional antigo e ultrapassado é de se esperar o desinteresse ou a irritabilidade daquele. Importante destacar que não seria interessante a patologização desse comportamento. Também cabe pensar que as tecnologias digitais podem oferecer uma lógica sem crítica e apenas informativa, o que nos faz pensar é que não devemos optar nem por um nem por outro ponto; mas, estabelecer uma ponte entre estes paralelos para que o sistema educacional possa se modernizar e contemplar uma educação com qualidade.
Podemos pensar ainda que a escola é um local, onde os sujeitos são ensinados a como conviver e se portar enquanto tais em sociedade. Existe um controle sobre os corpos e também um cuidado para que não apareçam diferenças, como alunos que são problemas. Pensar no aluno problema como um sintoma de uma sociedade capitalista pautada na competitividade e na qual não respeita o outro e não tem o amor, como Maturana nos fala, é pensar quais são as implicações destes sujeitos enquanto cidadãos e também as implicações subjetivas.Tecnologia-da-Informação-na-Educação-300x197
Dessa forma, segundo Maria Aparecida Affonso a medicina pode tomar o sujeito e de certa forma reger as suas condutas e seus modos de ser e pensar, patologizando-os, como vemos quando os alunos problemas são taxados de portadores de transtornos. O ciência médica se valendo de diagnósticos como os distúrbios da aprendizagem, costumam classificar em larga escola, todos os alunos problemas sem refletir sobre a verdadeira causa de tal comportamento e/ou atitudes. Assim, não se questionam os discursos médicos, pois tais são prescritos e não se deve questionar o que esta na receita.
Pensar, sobre a implicação disto na construção da aprendizagem dos sujeitos e pensar em como a educação no Brasil é pensada, ou melhor, não pensada, pois os sujeitos acríticos e sem brilho, são mais fáceis de governar e controlar, segundo a lógica capitalista.
Para complementar esta reflexão, gostaria de trazer algumas impressões que tive quando participei de uma palestra em minha cidade acerca da educação. O evento se intitulava Paternidade Consciente: os limites que seu filho precisa. Durante a fala do palestrante, promotor de Justiça de um das Cidades da Serra Gaúcha, este trazia a importância da família para os processos de ensino aprendizagem para as crianças. Destancando também, que muitos dos adolescentes infratores, termo cunhado por ele mesmo, (podemos pensar aqui nos alunos problemas), acabam chegando na justiça por causa da falha da instituição família, escola, conselho tutelar, seguidamente. Culpabilizando a família e a escola pelo fracasso escolar dos alunos.
Primeiro, pensar que o adolescente infrator é um sintoma da sociedade capitalista e opressora é pensar que muitas vezes autoridades não sabem refletir sobre a realidade que está inserida. Segundo culpabiliza os pais e a escola é uma atitude fácil, pois, sabemos onde apontar o dedo. Agora, pensar quais são as implicações que cada sujeito possui na sociedade e o que faz para modificar tal perspectiva torna-se desafiador. Portanto, ao culpabilizar um ou outro pelo fracasso escolar, ou colocar a culpa nos modos tecnológicos que os alunos estão inseridos com certeza não é a melhor alternativa.
Além disso, o promotor trouxe a internet e o uso da tecnologia como sendo extremamente perigosos às crianças. Evidente que, o cuidado consciente é importante, mas um discurso totalitário e reprodutor das ideologias das classes dominantes é uma forma de não exercer a igualdade ao acesso às tecnologias frente à educação.
Pensar nas implicações éticas em nossas atividades enquanto profissionais frente a tais temas, é essencial para combater as opressões que aparecem de forma sutil e aparentemente bondosa nos discursos instaurados pela ciência. Assim, o psicólogo em seu papel social, deve contrapor tais lógicas e evidenciar aquilo que está escondido.
Para finalizar, cabe pensar na implicação ética que cada cidadão tem ao falar do uso da tecnologia e as formas que tais podem nos subjetivar. Mas, acima de tudo, é pensar que a tecnologia pode nos ensinar a tolerar as diferenças e incluir os sujeitos, quebrando a lógica exclusiva e opressa evidente no discurso do promotor.

O texto Uma Abordagem da Educação Atual na Perspectiva da Biologia do Conhecimento, de Humberto Maturana, é um belo instrumento para problematizar as questões da educação, principalmente na realidade Brasileira. Acredito nisso, pois ao finalizar a leitura, me coloquei a pensar sobre as inúmeras citações que o autor fez ao longo do texto evidenciando a educação no Chile. Mas, e no Brasil? Para que e para quem estamos educando nossas crianças? Segundo Maturana, um dos pontos chaves de seu texto é a questão do amor. Não o amor cristão que tem como base o sacrifico mas, o amor que respeita e aceita o outro. Além disso, para que esta criança cresça com equilíbrio físico e emocional é imprescindível que ela mesma se aceite e tenha respeito por si própria. Somente assim poderá aceitar o outro na convivência, e sem isso não existe fenômeno social. A educação deve propor espaços para que não somente as crianças e jovem possam através de seus erros construir o exercício da compreensão e aceitação. Quando não há mecanismos que possam estimular tal atitude instaura-se a negação do outro e a competição, excluindo por lógica, o amor, o respeito e a aceitação do outro, isto é, a convivência social sadia e reflexiva. O autor faz toda uma revisão do que são as emoções e a importância delas na construção dos espaços e convivências sociais. Além disso, aborda a questão da linguagem como diferenciação entre os seres humanos e os animais. Mas, mais do que uma simples diferenciação, é que os seres que possuem a linguagem, somente a possuem, pois estabeleceram o exercício da convivência social. Toda história individual de cada sujeito é permeada na relação com os outros e consigo mesmo, mas essencialmente nas trocas que este realiza com o seu meio ambiente e os seres na qual convive. Por fim, Maturana, traz a importância do amor e do respeito que a educação deve proporcionar aos jovens e crianças. Partindo do pressuposto de que um sujeito nunca é predeterminado funda-se uma das mais belas ideias do autor: a educação como propulsora de reflexões e estimulado da aceitação e do respeito pelas diferenças. A alteridade é um conceito interessante, quando pensamos na aceitação e no respeito por si mesmo e pelos demais. Com relação ao conceito de alteridade, podemos compreendê-lo como a capacidade de compreender o outro, levando em conta sua dignidade, seus direitos, e,

sobretudo as suas diferenças. Assim, percebemos que como as guerras, são expressões da falta de alteridade, pois quanto menos esse conceito existir nas relações pessoais e sociais, mais conflitos podem acontecer. Possuímos como tendência colonizar
o outro e excluir aquilo que nos é posto como diferente, ou partir do principio que eu sei e ensino para o outro, ou que a cultura que eu estou inserida é mais desenvolvida do que a outro. Dessa forma, Somos seres de relações e tomamos consciência da existência do outro, alteridade.Image
Nesse sentido, a escola é um espaço para que as diferenças possam ser aceitas e respeitadas, construindo assim relações sociais que o autor se propõe a pensar ao longo do texto. Muito embora, a aceitação do outro se manifesta na proximidade do reconhecimento. Logo, as comunidades humanas devem se comprometer com a análise da realidade e problematizar seus compromissos e obrigações politicas, pois na atualidade, é fundamental ater-se a questões que reconheçam o valor do ser humano. Sabemos que a alteridade é reconhecida em alguns contextos, mas ainda está distante de ser conhecida universalmente, pois presenciamos situações desumanas e injustas. Portanto, é urgente sentir a alteridade: é uma conquista a tornar realidade.

Texto de Patrícia Dotta.

Com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre a Análise de Discurso, o grupo de estudos Ideologias Políticas e Movimentos Sociais se reuniu em três grupos de trabalho e buscou sintetizar três diferentes abordagens metodológicas sobre o tema em questão.

     O grupo composto pelas estudantes Deise, Karine, Letícia e Roberta sintetizaram o capítulo 24 intitulado “Análise de conversação, do discurso e de gênero” do seguinte livro:

FLICK, Uwe. Introdução a pesquisa qualitativa. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. 406 p.

O capítulo traz uma apresentação genérica sobre o método de análise de discurso, sem aprofundar-se em conceitos importantes, como discurso, sujeito, lugar discursivo. O livro é um manual de pesquisa qualitativa, que apresenta várias possibilidades de pesquisa, no entanto, é necessário se apropriar melhor dos métodos com maior bibliografia aprofundada.download

Segundo o autor, os procedimentos analíticos do discurso “referem-se não apenas às conversas cotidianas, mas também aos outros tipos de dados, como entrevistas […] ou reportagens nos meios de comunicação” (FLICK, 2009, p.303), apresentando dessa forma, como e onde se aplica o método. Para Flick (2009, p.303), primeiro se transcreve as gravações e, em seguida dedica-se a uma leitura cuidadosa:

A análise concentra-se no contexto, na variabilidade e nas construções presentes no texto, e por fim, nos repertórios interpretativos utilizados nos textos. O último passo […] é a descrição minuciosa de uma pesquisa analítica do discurso. A redação deve ser parte integrante da analise e conduzir o pesquisador de volta ao material empírico.

Podemos observar as sugestões de Flick, no entanto, para utilizar a análise do discurso, é necessário maior apropriação metodológica e teórica. Flick (2009, p.304) apresenta brevemente um mapa do método, como poderemos nos apropriar:

O pesquisador (1) deve transformar o texto a ser analisado em texto escrito, caso ainda não seja. (2) A etapa seguinte inclui a livre associação a variedades de significados como forma de acessar redes culturais, e estas devem ser anotadas. (3) Os pesquisadores devem relacionar sistematicamente os objetos em itens, normalmente assinalados por substantivos, no texto ou trecho selecionado do texto. (4) devem manter uma distância do texto, tratando-o como o próprio objeto de estudo, e não como algo que pareça ‘referir-se’. (5) Eles devem, então, relacionar, de modo sistemático, ‘os sujeitos’ – personagens, pessoas, papéis – especificados no texto, (6) reconstruir os direitos e as responsabilidades pressupostas dos ‘sujeitos’ especificados no texto, e, por fim, (7) mapear as redes de relacionamentos de acordo com padrões. Esses padrões da linguagem são ‘discursos’ e podem, então,  ser situados em relações de ideologia, de poder, de instituições

A relevância central apresentada é de que “combinam procedimentos analíticos da linguagem com análises de procedimentos de conhecimento e construções sem restringirem-se aos aspectos formais das apresentações e dos processos lingüísticos” (FLICK, 2009, p.304), apesar da importante relevância metodológica, é necessário uma apropriação teórica mais aprofundada.

O grupo composto pelos estudantes Fernanda, Franciele, Jean, Mariana e Patrícia, sintetizaram o subcapítulo Análise do Discurso do Capítulo 4 Fase de Análise ou Tratamento do Material do seguinte livro:

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 7ª ed. Rio de Janeiro: Abrasco, 2000. 272 p.

     No subcapítulo reconstroem-se as balizas fundantes propostas pelo criador da análise do discurso: Michel Pêcheux. A análise do discurso estaria articulada em três regiões do conhecimento: a) no Materialismo Histórico e seus vínculos com a ideologia; b) na Linguística; e c) na Teoria do Discurso. Seu objetivo é problematizar as reflexões gerais sobre os campos religioso, filosófico, jurídico e sócio-político e outros campos enquanto objetos teóricos e suas condições de produção de significados.344125_723

     Os pressupostos básicos da análise do discurso se resumem em dois princípios: a) As palavras expressam posições ideológicas do processo sócio-histórico contextual e não existem apenas em si mesmas; b) As formações discursivas dissimulam suas dependências das formações ideológicas.

     Assim sendo o conceito de discurso é determinado pelas condições de produção dos sistemas linguísticos que o engendram. O discurso é o lugar de conflito dos contextos situacionais que o produzem expressando os sentidos latentes no mesmo.

     A análise de discurso difere da análise de conteúdo por terem pontos de partida distintos. Enquanto a análise de conteúdo parte do texto atravessando-o e demonstrando a situação definida a priori como um contexto dado; a análise do discurso considera o texto um monumento que expressa o contexto gerado em seu processo produtivo de linguagem.

Aconteceu, nos dias 30/10/2013 a 01/11/2013 o II Colóquio organizado pelo nosso grupo de estudos, cujo título só poderia ser Ideologias Políticas e Movimentos Sociais, temas sobre os quais viemos discutindo e buscando compreender com base nas complexidades teóricas de Marx e Lacan, além de outros autores da psicanálise contemporânea.

Exposição dos Pôsteres produzidos pelos Bolsistas e Integrantes do Grupo de Estudos

Exposição dos Pôsteres produzidos pelos Bolsistas e Integrantes do Grupo de Estudos

 

No 1º dia, 30/10/2013, foi tratado sobre a Psicanálise e o Marxismo, sendo Nadir Lara Junior e David Pavón-Cuellar os palestrantes que compuseram a mesa e Ligia Maria Huff foi mediadora. Ambos palestrantes teriam 30 minutos para a fala e após seria aberto a questões dos participantes presentes.

As falas de ambos palestrantes tiveram caráter de debate, articulando o viés do estruturalismo com o do materialismo histórico para criticar o Capitalismo e o papel que o psicólogo deve assumir no contexto social, considerando os atravessamentos políticos. De início, foi explanado sobre formas discursivas descritas por Louis Althusser. O sistema capitalista não é uma estrutura só econômica, mas também de linguagem.A prova disso é que essa estrutura já está introjetada ao ponto de ter domínio de nosso imaginário, e com isso não podemos fantasiar alternativas possíveis a esse sistema que nos faz sofrer e assim poder realizar nossos desejos. Foi ressaltado o papel do psicanalista como o de trazer a verdade ao sujeito, ou seja, de fazer o sujeito estar diante de seus reais desejos. Com isso, a escuta no campo político e social nunca deve criar um discurso totalizante, pois a travessia da fantasia é justamente deixar de se submeter ao grande outro que diz por você quais são os seus desejos.

Com isso, o papel do psicanalista vem sendo provocar uma revolução individual. Contudo, foi feita a crítica à individualidade e propõe-se então a transindividualidade, ou seja, aquilo que transgride o individual. Com isso, a revolução não deve apenas envolver o sujeito no cuidado de si mesmo mas também naquilo que o envolve, ou seja, no cuidado com o que compõe o seu laço social.

Primeiro debate do II Colóquio de Ideologias e Movimentos Sociais

Primeiro debate do II Colóquio de Ideologias e Movimentos Sociais

 

O 2º dia do evento, 31/10/2013, tratou sobre “O Campo Político na Contemporaneidade”, sendo a mesa composta por José Rogério Lopes, Daniel Mendonça e Luciane Jardim. Como mediadora, Letícia Maria Pereira.

A partir de Foucault, foi feita a crítica do uso das relações de poder de forma perversa como ocorre no capitalismo. Relacionado a isso, está o reconhecimento, que liga o saber de si em relação ao coletivo, que também podemos entender como o saber sobre sua própria posição discursiva na sociedade. Foi dito que uma estrutura imutável tem domínio do inconsciente e que com isso é difícil pensar fora dos modelos que produzem nossa subjetividade, assim como pensar pesquisa que vai além do modelo positivista. Além disso, foi feito a grande crítica ao que é a verdadeira política. Política não é como se segue no modelo institucionalizado, está muito mais relacionado com os grandes conflitos que ocorrem em eventos ou acontecimentos que polemizam os discursos. Desta forma, a relação de sentidos que se dá a um significante vazio (que está em significação) é mais importante que atribuir um significado que seja hegemônico e totalizante. Assim, por exemplo, quando o movimento social da luta contra o HIV/AIDS do Rio Grande do Sul foi institucionalizado perdeu sua identidade a partir do momento em que teve que ressignificar seu grande outro, quando o Estado passou a reconhecê-lo e promover políticas públicas a esta epidemia. Com isso, o movimento perdeu sua força na luta por mais direitos necessários, pois não conseguia mais significar o Estado somente como um inimigo. Daniel Mendonça provocou o pensar quando trouxe o conceito de “significante vazio” e como exemplos dele a “emancipação social” e a “libertação humana”. José Rogério Lopes criticou o Estado de Direito, como uma forma de escolher a quem dar direito e a quem não dar, ou seja, escolher quem tem direito a ter direito, e logo com isso não está baseado no princípio de igualdade. Além do mais, a lei em si mesma não garante direitos, apenas o reconhecimento de que eles devem existir. Por sermos diferentes, deve-se ter o cuidado de não sermos reconhecidos hierarquicamente. Justamente a burocracia jurídica mantém o status quo operando, sendo capaz de engolir a fantasia da ação política que sempre busca por emancipação e acessibilidade, na qual nosso self é construído.

O 3º dia do evento, 01/11/2013, tratou sobre “Como se apropriar de Lacan sem deixar de ser Marxista?”, sendo a mesa composta por Nadir Lara Junior e David Pavón-Cuellar. Como mediador, Jean Jeison Führ.

David Pavón-Cuellar inicia sua fala de modo que nos incita a refletir sobre o que então seria a materialidade da realidade, que ultrapassa o plano físico e palpável pensada em Marx e que através de Lacan pode ser entendida também como o sintoma e a linguagem. Dessa forma, o sonho se integra a realidade material, que pode ser pensada através de Salvador Dalí, que em uma de suas obras traz relógios derretidos como forma de expressar materialmente nossas percepções subjetivas sobre o tempo. Também é feita uma crítica pela forma na qual tem se lido Lacan, sem ler anteriormente Marx. Lacan se apresenta encharcado de Marx, ou seja, Marx representa muito mais que uma simples influência em seu pensamento. Além disso, é importante não se fixar em um único teórico, “não eleger um pai” ou o “mestre”, pelo qual é impedido o questionamento e é tomado como senhor da razão absoluta. Com isso, ao fazer ciência deve-se estar atento a suas raízes filosóficas e epistemológicas. Deve-se questionar a serviço de que e de quem o conhecimento produzido estará. Por fim, foi abordado questões sobre como o psicólogo deve se posicionar dentro do sistema capitalista, sendo que a psicoterapia não deve se tornar uma mercadoria.

Professor David Pavón-Cuéllar, no Segundo encontro do II Colóquio de Ideologias Políticas e Movimentos Sociais

Professor David Pavón-Cuéllar, no segundo encontro do II Colóquio de Ideologias Políticas e Movimentos Sociais

O Grupo de Estudos Ideologias Políticas e Movimentos Sociais agradece aos palestrantes por mediar uma discussão muito rica e pertinente que contribuíram muito para compreender a interlocução dos sujeitos sociais com a esfera política.  Agradecemos também, de mesma importância, pela participação e prestígio de todos que presenciaram o evento e que são a razão de ele ter acontecido.

II Colóquio de Ideologias Políticas e Movimentos Sociais.

II Colóquio de Ideologias Políticas e Movimentos Sociais.

 

Integrantes do Grupo de Estudos Ideologias Políticas e Movimentos Sociais

Integrantes do Grupo de Estudos Ideologias Políticas e Movimentos Sociais

O Grupo de Estudos:   Ideologias Políticas e Movimentos Socias, anuncia com muito gosto o seu segundo Colóquio.

O evento acontecerá no dias 30-10-13; 31-10-13 e  01-11-13, na Unisinos, Centro 1, Segundo andar –  sala 1 A 202.

Além disso, o Colóquio contará com a presença do Professor  David Pavón Cuellar‏, da  Universidad Michoacana de San Nicolás de Hidalgo.

Segue abaixo a programação:

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Para alunos do Programa de Pós- Gradução em Ciências Socias da Unisinos e Integrantes do Grupo de Estudos:

Prof. David Pavón Cuéllar (Filósofo e Psicólogo) – Universidad Michoacana de San Nicolás de Hidalgo – Morelia México

Seminário para estudantes de Mestrado e Doutorado. Tema: LEITURA LACANIANA DE MARX: POSSÍVEIS INTERVENÇÕES E CONTRIBUIÇÕES PARA AS CIÊNCIAS SOCIAIS.

Data: 28/out até 31/out

Horário: 17h às 19h

Local: UNISINOS.

Conferência de encerramento do seminário: COMO APROPRIAR-SE DE LACAN SEM DEIXAR DE SER MARXISTA

Outras informações: http://www.unisinos.br/blogs/ppg-ciencias-sociais/

Os integrantes do Grupo de Estudos participaram, no mês de setembro, da XX Mostra de Iniciação Científica 2013, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos.  Cada dupla, apresentou sua pesquisa de Iniciação Científica, que está disponível  na Página ” Pesquisas em Andamentos, respectivamente.

Os integrantes que participaram foram:

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1. André Kist,

1. Patrick Deconto,

2. Deise Gessinger

2. Carol Momback

3. Patricia Dotta

3. Fernanda Kluck

4. Mariana Carrraro

4. Georgius Esswein

Entre os participantes, as integrantes: Deise Gessinger e Carol Momback, receberam menção honrosa na Mostra da Unisinos.

Segue o link da mostra: http://www.unisinos.br/eventos/mostra/component/content/article?id=65

O Blog TU TE PUXA, deixa aqui a homenagem ao seus  integrantes!

Parabéns a todos os participantes!!!

O Blog Tu TE PUXA vem convidar a todos os seus integrantes e Alunos da Unisinos e demais interessados nessa temática,  à participar do seminário internacional Pós-Colonialismo, Pensamento Descolonial e Direitos Humanos na América Latina.

O seminário pretende constituir-se em um espaço de divulgação e difusão de ideias, teorias e pesquisas relacionadas ao impacto do pós-colonialismo e dos estudos descoloniais na construção de uma teoria crítica dos direitos humanos na América Latina.

Os resumos dos pôsteres poderão ser submetidos até 13/10/2013 por meio do link abaixo: https://eventos.asav.org.br/event/ppgd/attendee/login/index?

Para maiores informações ou dúvida, segue o link abaixo:

Bom evento a todos e a todas!

Contemporaneamente, vive-se em uma sociedade que permite a expressão de diversas formas de pensar, de ser e sentir. Quando Freud, iniciou seus estudos sobre a histeria, vivia-se numa época que a expressão sexual era reprimida, ou não podia-se expressar-se como o sujeito acreditava ser.

Em contrapartida, a pós-modernidade, vivência-se uma outra forma repressão, isto é, essa é introjetada pela sociedade de consumo, construindo sonhos de felicidade e bem-estar social, na qual não existem conflitos e crises no cotidiano. As pessoas compram essa ideia ideológica e buscam por uma felicidade fugaz que visa o gozo sem fim. Ao invés de, procurar uma felicidade que busca a construção do verdadeiro desejo do sujeito, na qual implica a construção de uma sociedade mais humana, justa e igualitária.

Nesses últimos meses, se viu muitos jovens protestarem por uma sociedade mais justa. A mídia insistentemente busca evidenciar o lado negativo, na qual, indivíduos não implicados com o objeto dos movimentos, destroem o patrimônio público. Entretanto, o desejo de uma sociedade mais justa e menos opressora impulsionou muitos manifestantes a lutarem por um mundo melhor.

Apesar de muitas críticas da sociedade frente aos manifestantes, vale ressaltar que o lugar também da Psicologia é escutar, os sujeitos que estão mobilizados pelo desejo de melhora da sociedade e também os sujeitos que são oprimidos pela lógica capitalista e acreditam que tudo esta bem. A constante reflexão crítica deve ser um dos afazeres da psicologia, como uma psicologia que visa à libertação e a humanização das relações humanas.

A mídia impõem ideias de boa aparência, boas roupas, carros, casas, etc. Mas principalmente, evidencia a ditadura da beleza, do perfeito e sem conflitos. Assim, podemos pensar, será que essa lógica não é ideológica? Será mesmo que somos livres para nos expressar e mostrar quem realmente somos? Ou precisamos seguir um padrão e uma lógica imposta? Quando nos manifestamos o desejo de uma sociedade menos opressora somos taxados de baderneiros? A contemporaneidade apresenta mais perguntar do que respostas, mas, talvez seja por isso, que nossos sistemas Ics e Pcs, desenvolvam tantos sintomas como depressão e suicídio, numa sociedade dita como “livre”.

Autora: Patricia Dotta

O grupo de Estudos contou com a Participação do Professor Adjunto II do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará/UFC, Aluísio Ferreira de Lima, para a realização de uma palestra cujo título é:

  • O reconhecimento social como questão para a Psicologia Social Crítica: contribuições de Hegel, Mead e Honneth. 
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Professor: Aluísio Ferreira de Lima

Além disso, o professor divulgou seu livro:  

  • Psicologia Social Crítica: Paralaxes do Contemporâneo, 
  • Com contribuições do professor do Grupo de Estudos: Nadir Lara Junior.

Entre algumas contribuições do Professor Aluísio, podemos destacar:

–  Nem toda psicologia social já é crítica: algumas têm enraizamento ideológico que visam adaptar os sujeito.

Reconhecimento

Hegel: sujeito produzido por indeterminação e determinação;

Estado: regulação da liberdade (livre arbítrio);

Mead: comportamentalismo social: o outro diz quem você é (self) (através da linguagem)

Honneth: finalidade da vida está ligada aos interesses libidinosos

Movimentos sociais devem lutar por reconhecimento e para que este reconhecimento não seja perverso.

Por que com as alternativas de produção de si mesmos os sujeitos permanecem no modelo hegemônico?

Há um controle através da apropriação das necessidades de determinação dos sujeitos, sendo a produção e representação de si mesmos em busca de ocupar espaços, baseando-se naqueles sujeitos que já são incluídos, bem vistos e reconhecidos na sociedade por méritos ideológicos.

Portanto, o psicólogo social deve considerar as relações de poder entre os sujeitos, sua posição político-ideológica e os jogos de linguagem.

Nesse encontro, o Grupo de Estudos, implicou-se na leitura do Livro:

  • ” Fantasia: o Prazer de Ler Lacan”;200x200_8537800244
  • Cujo autor é:  J.D. Nasio.

Inicialmente,  foram construídos subgrupos, na qual foram debatidos e evidenciados os pontos principais de cada integrantes, durante as suas respectivas leituras individuais. Após isso, realizou-se a discussão no Grande Grupo e foram compartilhadas as reflexões, frutos dos subgrupos.

Dessa forma, o debate girou em torno do conceito de Fantasia. Procurou-se cercar o conceito através do entendimento dos alunos. Compreendeu-se fantasia em sua perspectiva Inconsciente e quais são as implicações disso na prática do psicólogo.

Dessa forma, o Grupo prosseguirá, seus  estudos no  livro  visto que,  o tema para esse semestre, no Grupo de Estudos é : FANTASIA.